ITAL 50 Anos - page 35

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Ciência, Tecnologia e Inovação a Serviço da Sociedade e da Indústra Brasileira de Alimentos
engenheiro agrônomo apresenta, então, o projeto intitulado
“Contribuição para o estabelecimento da Faculdade de Tec-
nologia de Alimentos na Universidade de Campinas”.
O Conselho Estadual de Educação aprova, em 19 de de-
zembro de 1966, a resolução número 46/66 e, assim, auto-
riza a instalação da FTA que formaria o núcleo inicial da Uni-
camp, juntamente com os Institutos de Biologia, Matemática,
Física e Química, e as Faculdades de Engenharia, Ciências e
Enfermagem (LEVY, 2006).
O relatório da Comissão Organizadora da Unicamp (1966),
elaborado pelo Dr. Zeferino Vaz, retoma a visita feita ao CTP-
TA e apresenta os argumentos que foram decisivos para a
aprovação da proposta de criação do curso de graduação em
tecnologia de alimentos:
Na oportunidade, após havermos percorrido todas as
instalações semi-industriais e laboratórios de pesqui-
sa, o ilustre engenheiro Dr. André Tosello fez-nos re-
lato minucioso das atividades-fim do Instituto, único
no hemisfério sul e destinado a dar assistência téc-
nico-científica às indústrias de alimentos. Aprende-
mos, através de sua palavra, que no Brasil a soma
dos capitais aplicados nas centenas de fábricas que
industrializaram alimentos de todos os tipos só é in-
ferior aos aplicados na indústria petrolífera e que nos
E.E.U.U. supera os desta. Apesar disso não há, não só
no país, mas em todo o hemisfério sul, uma só escola
destinada à formação de profissionais especializados
em tecnologias de alimentos. O que há, sim, é que
certas faculdades ministram algumas disciplinas rela-
cionadas ao assunto, de mistura porém com dezenas
de outras que pouco tem a ver com a tecnologia de
alimentos, por se destinarem a outros fins. Nenhuma
porém cuida planejadamente, mediante um progra-
ma equilibrado, completo e complexo, da tecnologia
de todos os tipos de alimentos, como aplicação si-
multânea da ciência e da engenharia na fabricação,
distribuição e consumo dos produtos alimentícios...
O curso superior de tecnologia de alimentos visaria
a formação de profissionais diferenciados, aptos a
orientar e dirigir tecnicamente a industrialização de
alimentos, a inspeção e higiene, a análise, o contro-
le de processos, a planificação técnica e econômica,
o ensino e a pesquisa (COMISSÃO ORGANIZADORA,
1966 apud SILVA, 2001, p. 13).
O curso começou efetivamente a funcionar em 1967. An-
dré Tosello – responsável por estruturar o conteúdo do cur-
so e construir a planta física da faculdade – convoca vários
pesquisadores com os quais já vinha trabalhando no CTPTA.
Fumio Yokoya, Waldomiro Sgarbieri, Rute dos Santos Garru-
ti, Ottilio Guernelli e Paulo Bobbio são alguns dos membros
fundadores (ALVES FILHO, 2005). A faculdade também con-
tava, em seus quadros, com muitos pesquisadores do CTPTA.
Extremamente qualificados, muitos deles já possuíam títulos
de pós-graduação, obtidos na Universidade da Califórnia, em
Davis (EUA), por exemplo.
Algumas faculdades traziam, em seus currículos, temas
relacionados à tecnologia de alimentos, tais como as facul-
dades de agronomia, medicina veterinária e farmácia. As
universidades ainda não ofereciam cursos específicos para a
formação de tecnólogos em alimentos, tal como nos Estados
Unidos e na Europa.
A necessidade de criação de um curso específico na área nas-
ce, portanto, com a demanda por profissionais que pudessem se
dedicar à pesquisa, ensino e outras atividades relacionadas aos
conhecimentos em ciência e tecnologia de alimentos.
Com a implantação do CTPTA, após a assinatura do con-
vênio com a FAO, além do incremento das pesquisas, aumen-
taram os cursos de curta duração oferecidos aos profissio-
nais com atividades relacionadas à produção, conservação e
processamento de alimentos, enquanto a FTA voltou-se mais
para a pesquisa científica e contava com uma graduação de
cinco anos. Três departamentos são criados: Ciência de Ali-
mentos, Tecnologia de Alimentos e Engenharia de Alimentos.
O CTPTA – do qual André Tosello permanecia como dire-
tor – ficou responsável pela elaboração do currículo do cur-
so, contando com a colaboração dos técnicos da instituição
e com os consultores da FAO presentes. Os currículos das
principais universidades norte-americanas serviram como
inspiração. “Na implantação da Faculdade de Tecnologia de
Alimentos, a ideia inicial era a de se utilizar a infraestru-
tura e a colaboração dos técnicos especializados do CTPTA,
uma grande parte deles com cursos de pós-graduação e de
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